José Eduardo Duarte Saad
é
advogado e professor; membro do Instituto dos Advogados de São
Paulo; foi Assessor
Jurídico de Ministro do
Egrégio Supremo Tribunal Federal, Procurador Chefe do Ministério
Público do Trabalho, em São Paulo.
Conheça um pouco mais dos trabalhos de
José Eduardo Duarte Saad
,
nosso primeiro convidado da seção Entrevista do Mês.
Unisa - Como
surgiu o interesse pelo Direito?
JE - Meu pai, Eduardo Gabriel Saad, combativo advogado, primoroso parecerista e escritor de inúmeras obras
jurídicas, autor de um sem número de anteprojetos de lei na área do
direito do trabalho (Lei do FGTS, salário maternidade, etc),
provocou, por certo, grande influência intelectual sobre mim desde
minha meninice. É natural que isso ocorra em famílias onde existe a
figura de um profissional do Direito.
Mas o fato de uma pessoa não ter no seio da
família um profissional do Direito que o estimule por essa área do
conhecimento, não significa que ela não possa ver desabrochar esse
interesse. Lembrem-se que Abrão Lincoln, nas suas
andanças de lenhador de pouquíssimas leituras, descobriu dentro de
uma cabana abandonada um baú com alguns livros jurídicos sujos e
empoeirados pelos anos transcorridos. Lendo-os sofregamente,
resolveu ser advogado!
Unisa - Qual
a sua formação?
JE - Eu me formei em 1971 na Faculdade de
Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Imagine
que naquela época tínhamos, inclusive, uma cadeira ministrada por
dois anos consecutivos sob a denominação "Direito
Canônico". E a par disso, vivíamos os momentos libertários do
movimento estudantil no mundo, desencadeado pela célebre "Revolta de
Maio de 1968 dentro da Faculdade de Direito de Paris-Sorbonne".
Unisa - Como se
materializou o escritório de Advocacia José Eduardo Duarte Saad? Qual
foi o ponto de partida?
JE - Sempre
costumo dizer que inexistem "casualidades" na vida. Existe,
isso sim, "causalidades". Nada acontece por um mero acaso e golpe de
sorte. Entendo que o escritório surgiu desde os meus primeiros
momentos dos bancos de colégio e faculdade, onde muito estudo e
trabalho foram dedicados sob os olhos atentos e pacientes dos meus
professores, que sempre se transformaram em meu amigos e
conselheiros pelo resto da vida, ao lado da figura de meu pai.
Unisa - Qual
o principal ramo de atuação do escritório?
JE - É o Direito Empresarial em todos seus
ramos, notadamente o Direito do Trabalho, Civil, Meio Ambiente e do
Direito do Consumidor. Nossa atuação no contencioso é marcante, e
isso por influência de minha passagem como Assessor
Jurídico do Ministro Raphael de Barros Monteiro, do Supremo Tribunal
Federal, logo no meu primeiro ano de formado, e como membro do
Ministério Público do Trabalho, em São Paulo. Além dessa
característica contenciosa do escritório, ele se dedica, também, à
parte consultiva, prevenindo litígios.
Unisa - O
seu escritório conta com algum tipo de assessoria externa?
JE - Não. Na verdade, o escritório está já
na terceira geração de advogados, que se iniciou com Eduardo Gabriel
Saad, meu pai. Toda sua equipe de profissionais, que vai desde a
parte administrativa, financeira e de informática até os nossos
Colegas Advogados, é forjada internamente e constantemente aprimorada em
cursos externos de especialização. Conta o escritório com o respaldo
de uma biblioteca de cerca de 35.000 volumes abrangendo as áreas do
direito em geral, filosofia, sociologia, economia, política e outras
afins.
Unisa -
Conte-nos qual foi o momento mais marcante de sua
carreira.
JE - Considero
que o momento mais marcante de minha carreira profissional está
sempre se renovando. Ela está sempre marcada com o sentimento de
dever cumprido quando sou co-participante da realização da ordem
jurídica e da própria Justiça no meu dia a dia.
Unisa - O senhor
é co-responsável pela atualização dos livros "CLT Comentada" (37ª
edição) e "Direito Processual do Trabalho" (4ª edição), ambos de
Eduardo Gabriel Saad. Como foi esta experiência?
JE - Foi muito criativa e interessante. De
mero leitor e estudioso de sua obra jurídica, passei,
repentinamente, a ser co-autor. Não me foi difícil essa tarefa, que
me foi incumbida por ele, pois meu estilo de redação sempre foi
símile ao dele. Como disse na minha nota à 37ª. edição da "CLT Comentada", "procuramos respeitar
seu estilo leve e ágil nessa empreitada, evitando que nossas mãos
forasteiras não a deturpassem".
Unisa - Que
conselhos o senhor daria para os futuros advogados formados pela
Unisa?
JE - Cada um tem sua receita de vida. Eu,
por exemplo, adoto os conselhos que recebi de meu pai e de meus
professores, que já de há muito os retransmiti a meus filhos:
"Muito estudo e muita dedicação ao trabalho e fidelidade à
Justiça. Você deverá criar calos no cérebro e nos olhos, mas jamais
deixar amortecido seus sentimentos".
Neste passo, lembro-me da seguinte advertência de
Piero Calamandrei, em sua preciosa obra "Eles, os
juízes, vistos por nós, os advogados":
"Quem foi o autor desta cômoda e desprezível
sentença: Habent sua sidera lites, pela
qual se quer dizer, em substância, que a justiça é uma coisa que não
deve ser tomada a sério? Aquele que a inventou foi certamente um
pleiteante sem escrúpulos e sem paixão, que dessa forma quis
justificar todas as negligências, adormecer todos os remorsos,
suprimir todas as fadigas. Mas tu, jovem advogado, não te agarres a
essa fórmula de vã resignação, enervante como um narcótico; rasga a
página onde a encontraste escrita e, quando tiveres aceite uma causa que te pareceu boa,
atira-te ao trabalho com fervor, com a certeza de que aquele que tem
fé na Justiça consegue sempre, mesmo em oposição com os astrólogos,
fazer mudar o curso das estrelas. Para encontrar a Justiça, é
preciso ser-lhe fiel. Como todas as divindades, só se manifesta
àqueles que nela crêem" (ob.cit. pg.22/23,
ed.Livraria Clássica Editora, Lisboa, 4ª.
edição).
Seja fiel à Justiça e acredite nela. E
completaria eu dizendo que, ocorrendo a
infidelidade ou falta de atenção a ela, acredite numa coisa, meu
jovem Colega, ela, por ser do gênero feminino, irá reagir de forma
pior do que dez mulheres ciumentas em conjunto reagem. Seja sempre
fiel à essa adorável Dama, portanto!
Saiba mais: www.saadadvocacia.com.br
Extraído de: http://www.unisa.br/2004_05_03_entrevista.html
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